Um esclarecimentos antes de dar inicio a este diário... esta é a nossa historia e não é de todo o generalizar de fatos, acontecimentos e pessoas. Cada caso é um caso, e não há receitas miraculosas. estas palavras apenas pretendem, e porque foram varias as pessoas que mostraram interesse em saber mais (porque se sentem próximas por algum motivo a tudo o que se passou connosco) ajudar de alguma forma. Se no final de tudo isto uma pessoa se sentir melhor com a nossa historia de sucesso então tudo terá valido a pena. Este diário surgiu pela minha necessidade de materializar os meus medos e receios sem alarmar os que me amam e que leem este espaço...
Maio de 2015...
"Após meses a tentar que a natureza cumprisse a sua parte nesta luta
pela natalidade decidimos que o serviço nacional já não preenchia as nossas
necessidades. À porta dos 40 e sem nos sentirmos apoiados pela nossa médica de família
e que apenas nos dizia “relaxem, isso é o sistema nervoso a funcionar contra vocês”,
sem equacionar sequer em nos encaminhar para um serviço mais assertivo no nosso
caso. Procurámos entre os amigos referências de médicos e um nome surgiu no imediato.
Uma médica que não reunia o consenso no que diz respeito à simpatia e afetividade
mas cujo curriculum e o reconhecimento pelos pares nos permitia acreditar que
podia ser por ali. Marcámos consulta na Cuf de Cascais, afinal de contas era
para um momento como este que eu andava a pagar o seguro de saúde.
Confirmou-se tudo o que tínhamos lido sobre a médica. Aparentemente
sisuda e de cara trancada, um nadinha bruta mas no final de contas não estávamos
ali para fazer amigos mas sim para ter uma opinião competente. Logo na primeira
consulta e após uma eco vaginal foram-me detetados 3 miomas e um deles de grande
dimensão (a maioria dos miomas são benignos porem quando se trata de um mioma
de maior dimensão este pode degenerar em cancro). Assim de repente estava
detetado um dos fatores que não estaria a permitir a nossa gravidez, outros
apenas poderiam ser tomados em linha de conta após uma bateria de exames, que
ambos teríamos de fazer. Eu sou pessoa que prefere verdades cruéis a mentiras
piedosas e o facto de haver ali qualquer coisa que não estava bem de alguma
forma deu-me algum alento pois agora eu sabia o que tinha de combater. 3 Bolas que existiam no meu utero que estavam a mais. Tinham de sair!
Exames marcados, exames feitos, resultados vistos e revistos e os
miomas pareciam ser mesmo um dos fatores a ter em conta bem como o facto da
minha reserva de folículos (a mulher nasce com a totalidade dos folículos e ao
longo da vida eles vão “morrendo”) já ser de uma pessoa com quase quarenta anos
e cuja mãe teve indícios de menopausa precoce (esta parte é muito importante
pois a menopausa da mãe por norma dá indícios de que a filha poderá também ela ter
a menopausa na mesma altura)
O tempo não jogava a nosso favor.
Começamos a fazer medicação (Dufine e ácido fólico) pois caso a gravidez
acontecesse nestes meses de verão (em que se diz que andamos todos mais
alegres, soltos e fofos) seria perfeito e íamos vigiando os miomas de forma mais
regrada ao longo da gravidez mas a médica decidiu que ficaria já marcada uma
miomectomia em Setembro.
Assim que ouvi o nome
miomectomia, claro, fui logo pesquisar e percebi que existiam vários métodos e o mais
recorrente nos últimos tempos era vulgarmente chamado de furinhos, por
laparoscopia, a outra de barriga aberta assustou-me um bocadinho confesso. Mas não
quis pensar muito nisso e fui de férias… fomos de férias com os trabalhos de
casa anotados (se é que me entendem)"
(continua)








