08/03/2017

MEDOS DE UMA MÃE EM CONSTRUÇÃO NO DIA DA MULHER

Confesso que ainda me é difícil dizer "meus filhos" não porque não lhes sinta amor, não porque não os deseje mais do que tudo na vida mas talvez porque eram um sonho e os sonhos nem sempre se concretizam. Perseguem-se, desejam-se mas nem sempre lhes sentimos o pulso.

Dizem que hoje é um dia especial para as mulheres mas é importante que não resumamos o dia internacional da mulher a um dia dedicado ao comercio. É importante que se olhe para trás e se mantenha viva a historia que está na origem deste dia.

A ideia de criar o Dia Internacional da Mulher surgiu no virar do século XX, no contexto da Segunda revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina na industria. E o primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em fevereiro de 1909 nos EUA em memoria de um protesto das operarias da industria do vestuário de NY contra as más condições de trabalho.
Após 1945 a data tornou-se principalmente um feriado comemorado apenas nos países do chamado bloco comunista. Em 1955 surgiu o mito de que a data teria como origem a celebração da luta e da greve de mulheres trabalhadoras do setor têxtil em 1857 que haviam sido duramente reprimidas pela policia ou mortas num incendio criminoso na fabrica, segundo diferentes versões do mito.
Na atualidade a celebração do Dia Internacional da Mulher perdeu parcialmente o seu sentido original, adquirindo um caracter festivo e comercial. Em 1977 este dia foi adotado pelas Nações Unidas para lembrar as conquistas sociais, politicas e económicas das mulheres.
 É triste que apesar de tudo isto ter acontecido, em pleno seculo XXI ainda faça sentido falar de diferença de géneros pois ela existe, de forma mais camuflada ou não, ainda é exigido à mulher que se desdobre em provas de superação para chegar ao mesmo patamar do género masculino. E enquanto esta realidade existir faz sentido comemorar este dia.

E o que tem isto a ver com o facto de eu estar gravida de dois homens? TUDO!!! Desejo profundamente ter a capacidade de lhes passar que apesar de diferentes os géneros não podem ser discriminados baseados em força ou tradição, que o respeito é transversal, que a entreajuda é coisa que não depende de sermos homens ou mulheres, que não existem papeis de liderança previamente atribuídos sem serem merecidos... desejo profundamente estar à altura desta tarefa herculana que é educar.
Feliz DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES para todas aquelas que me ajudaram, e ajudam. a ser a mulher que sou hoje!

07/03/2017

OS FERREIRA TÊM O PRAZER DE APRESENTAR OS SEUS HERDEIROS

O pai fez anos ontem e recebeu a melhor das prendas: ver os seus bebes a mexerem alegres e contentes dentro do contentor, perdão, mãe!! Eu !! São várias as pessoas curiosas sobre as eco de gémeos e por isso decidimos partilhar esta primeira imagem em que se veem as cabecitas juntas uma à outra, apesar de estarem divididos cada um na sua placenta (na imagem consegue-se ver essa linha divisória). Eu costumo dizer na brincadeira que moram os dois no mesmo condomínio mas em frações diferentes!

Na próxima imagem apresentamos o Herdeiro Nº1 (nas ecos eles são chamados de feto 1 e feto 2 desde o inicio e só por isso é que são apresentados com esta numerologia)...

 E por fim, mas não menos importante, o Herdeiro Nº2... e  que tem o nariz no ar e arrebitado. Medooooo, muito medo!!!!




Não são as imagens mais bonitas nem as mais definidas mas são as imagens que comandam a nossa vida neste momento e que nos fazem sorrir e acreditar nos sonhos. BELIEVE! ALWAYS!


03/03/2017

OS FERREIRA FORAM AO CINEMA #11








A maioria dos filmes que temos visto são densos e saímos de lá sempre com a cabeça às voltas por isso quando soubemos da estreia do trainspotting decidimos desafiar um grupo de amigos e passar uns bons momentos.
Na véspera eu e o Joao estivemos a ver o primeiro filme para relembrarmos um pouco a historia alucinante destes amigos não menos alucinantes, mas a verdade é que eu vi apenas 15 minutos do inicio ah ah ah a culpa é dos gémeos... juro!

Foi com muito saudosismo que partimos para T2 e com as expectativas muitíssimo altas. Queríamos um filme igualmente alucinante e cheio de momentos de humor sarcástico e a roçar o ridículo.

Nós e todos temos também mais 20 anos. Ou então temos a tal nova geração do Facebook, Twitter e Instagram que, se calhar, não se entusiasmou por aí alem com o Lust for Life, do Iggy Pop. A nova realidade de Mark Renton (Ewan McGregor) passou pela tentativa de vida nova em Amesterdão, ao passo que o psicótico Begbie (Robert Carlysle) tem observado a vida através de uma cela ao cumprir uma pena de 20 anos por assassínio. Já Simon ou Sickboy (Jonny Lee Miller) continua ativo, com planos para abrir um bordel com a namorada búlgara Veronica (Anjela Nedyalkova) e ainda o heroinómano Spud (Ewen Bremner) a chegar ao fim da linha e a preparar-se para um check out definitivo. Mas vai conservando a memória coletiva em pergaminhos. Lá está, o quarteto lá vai fazendo pela vida, de acordo com o novo guião de John Hodge inspirado no romance Porno, de Welsh, de 2002, e as enésimas tentativas de dar credibilidade a uma história bem como a complexa reunião do grupo. Boyle não perdeu o nervo e sabe que T2 é sobretudo um filme para quem viveu intensamente o primeiro.

Lá está, este é bem menos um filme para a geração das redes sociais, que em vez de escolher a vida, opta pelo Facebook, pelo Twitter e pelo Instagram, do que para os cotas quarentões como nós. Foi um tempo bem passado entre amigos.

Recomendo!




28/02/2017

OS FERREIRA FORAM AO CINEMA #10




Vou ser absolutamente honesta no que vos vou escrever AMEI ESTE FILME. Um filme baseado em factos reais, em mulheres que tudo tinham para serem amargas com a vida, em seres humanos que  sentiram na pele o pior dos racismos e que ainda assim lutaram pelos seus sonhos. Um filme com uma mensagem que tem tanto de dura como de enternecedora. Que nos faz sentir gratos por vivermos numa realidade um nadinha diferente (não sejamos hipócritas e o racismo ainda é uma realidade) e que no final nos oferece imagens maravilhosas realistas de como estas mulheres se encontram nos dias de hoje.

O filme retrata o início da década de 1960. Os EUA e a União Soviética encontram-se em plena Guerra Fria. A disputa pela corrida espacial entre as duas potências é uma evidência e nenhum dos países está disposto a perder a oportunidade de colocar o primeiro homem no espaço. Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson são três mulheres afro-americanas cujos cérebros brilhantes lhes valeram cargos na NASA, apesar da segregação racial e sexual ser ainda uma realidade. Numa época em que os computadores eram ainda muito rudimentares, foram as suas extraordinárias capacidades de cálculo matemático que definiram as complexas trajectórias que tornaram possível colocar na órbita da Terra o astronauta John Glenn, no dia 20 de Fevereiro de 1962. Tornou-se assim o primeiro norte-americano a fazê-lo.

Que a nossa memoria nunca esqueça pessoas especiais como estas. Pessoas de carne e osso que materializam o sonho, mesmo que isso implique superar limitações, barreiras e preconceitos.

Este RECOMENDO assim sem hesitar!


27/02/2017

ANÉIS #8

Os anéis/aliança  FIGURES&WORDS - em aço inox, com figuras recortadas e com 14mm de altura e várias gravações são mais uma novidade da nova coleção

Existem 3 opções: símbolo do infinito + gravação de nomes, trevo de 4 folhas + gravação de nomes e datas e 3 alianças de dois tons em que apenas a prateada é gravada com nome (dourado e prateado).

Ousam?

26/02/2017

MEMÓRIAS DE UMA MÃE EM CONSTRUÇÃO #10





7 de Agosto

Os meus dias passaram a ser geridos por uma ansiedade constante e uma pergunta que martelava incessantemente no meu cérebro “seria eu capaz de voltar a picar-me?”. A segunda injeção foi dada da mesma forma da primeira… sem hesitações e com muita determinação. Enquanto o líquido se espalhava no meu vente as orações foram uma constante. Seria expectável que usasse a oração para pedir que tudo corresse bem mas a verdade é que a única coisa que pedia se baseava a isto: “mãe de todas as mães ajuda-me a aceitar o que estiver reservado para mim… seja o que for. Ajuda-me a não ser uma pessoa amargurada e azeda.

Terceiro dia de injeções e aquele em que era preciso ligar para a AVA para marcar a nossa primeira ecografia… ficou para o dia seguinte.

A maldita ansiedade era completamente avassaladora e dominadora… chorei muito sozinha (para não preocupar os meus). Foi a melhor forma que o meu corpo encontrou de se aliviar da tensão existente (aliás sempre fui uma pessoa de lagrima muito fácil, o facto de ser filha única fez com que encontrasse estas formas de aliviar os pensamentos).

Ter um verdadeiro companheiro ao meu lado era o elemento crucial nesta cruzada. O João sempre, aparentemente calmo, sustinha-me todos os medos e receios. E eu dava comigo a pensar que a vida podia levar-me a esperança e o sonho mas que não me levasse a pessoa que sempre esteve ali… ao meu lado muitas vezes sem entender os meus silêncios ou lagrimas e que “simplesmente” me agarrava e afagava todos os sentimentos descontrolados e primários que me corriam no corpo.

Estávamos em Agosto, 19 de agosto, e o trânsito em lisboa não podia estar melhor (ou a ausência dele) e a distância entre a Parede e a Avenida Augusto Aguiar parecia ter diminuído… em três tempos estávamos sentados na sala de espera. A espera. Sempre a espera. Ao nosso lado outros casais, os mesmos rostos cheios de dúvidas e esperança. Olhamo-nos de lado, timidamente, procurando uma normalidade e identificação que nos escapa nos rostos que existem no nosso dia-a-dia. Chegara a nossa hora, a primeira ecografia (de muitas desejávamos nós).

Deitada na maca as noticias não eram as melhores… o meu corpo não tinha reagido bem à medicação. Na verdade mal havia uma reação. O Dr. Paulo Vasco sempre com as suas palavras sábias e equilibradas lá explicou que por vezes o corpo demora mais a reagir à medicação (mas eu sabia que já estava a usar doses altas e que isso não era o bom sinal) e que tínhamos de dar mais um empurrão para o acordar. Às injeções de Gonal-P iriamos acrescentar o Dufine e depois… esperar. "Verbozinho" irritante este mas o único que na verdade geria os nossos dias.

O facto de termos horários rígidos para fazer a medicação condicionava a nossa vida social mas ainda assim tentávamos aparentar alguma normalidade. Fazíamos o que tínhamos a fazer até às 19 e às 20 voltávamos às injeções, numa versão de gata borralheira que se transforma em abobora e que tinha de fugir rapidamente.

Não eram muitas as pessoas que sabiam desta nova rotina para além dos nossos pais. Mas existiram 3 pessoas que foram absolutamente determinantes. Três amigais que de forma tao diferente se transformaram no meu suporte incondicional: uma porque vivera todo este percurso e entendia cada momento que estávamos a passar, que identificava cada medo, cada esperança, cada receio, com verdade e sem os condicionalismos que as pessoas que nos amam têm (há anos atrás jamais imaginaria que seria ela a estar ao nosso lado neste momento mas estou imensamente grata por tudo o que conquistámos neste processo e o quanto isso foi transformador para a nossa amizade e tao… bonito); outra que sendo mãe de seis (na altura de cinco e gravida da sexta) me mostrava o quanto o amor maternal pode ser curativo, que a fé e a esperança pode ser tao curativa como tudo o que a medicina nos proporcionava; e a terceira, e não menos importante, que dava os melhores abraços de todos, abracinhos curativos, que não precisavam de palavras e que uniam tudo o que ameaçava ruir a qualquer momento. O amor que sinto por elas não cabe aqui… não cabe no meu corpo e muito menos nas palavras que escrevo pois tudo isto seria imensamente insuportável se não fosse partilhado com pessoas que conhecem o corpo feminino. As transformações que sentimos quando somos sujeitas a tratamentos desta espécie não é algo que consigamos explicar facilmente a um homem (por muito que ele nos ame e queira entender). Elas foram e são a minha medicina alternativa. Umas companheiras de vida e para a vida… já cá andamos a partilhar histórias há mais de 20 anos e não me parece que vá terminar tao depressa (e graças a deus).

O amor, a amizade e a medicina eram a minha trilogia de sobrevivência.

(Continua)

design

design by: We Blog You