08/02/2017

FIOS #93

Três novas sugestões de fio KEEP IT SIMPLE para pessoas que gostam de peças descomplicadas e fáceis de usar.

Fios de aço inox (com várias hipóteses de malhas) e três medalhas diferentes:

- andorinha de aço inox (25mm X 25mm)
- asa de aço inox (20mm X 10mm)
- medalha de 30mm de diâmetro em madrepérola com a frase "As melhores mães transformam-se em super avós como tu", com banho de resina para as letras não perderem a cor.

Ousam?





07/02/2017

MEMÓRIAS DE UMA MÃE EM CONSTRUÇÃO #8

4 de Agosto


Regressados de férias e novamente com os corações cheios de esperança. Há um ano atrás também tínhamos levado esperança a banhos mas regressaríamos de mãos a abanar porque sabíamos que o que nos esperava era uma operação. Agora a missão era outra: tratamentos de fertilidade. Era isto que tínhamos em mãos, era com isto que tínhamos de lidar. Sem medo das palavras e conscientes de que a verdadeira aventura estaria prestes a começar.
Entrámos na AVA e à nossa espera estavam os sorrisos de sempre. Tudo ali nos inspira serenidade. Cada pessoa que se cruza connosco sorri e isso provoca-nos uma sensação de calma e de boas-vindas. Era hoje que começaríamos a delinear o nosso primeiro tratamento de estimulação ovárica rumo à nossa primeira FIV (fertilização in Vitro). Chegara agora o momento que eu estava a adiar dentro de mim, deveria ser agora (pensava eu) que finalmente iriamos falar das tais injeções na barriga que já andavam a habitar o meu inconsciente. Confirmou-se. O tratamento nos primeiros dias seria feito com uma caneta/injeção na barriga (o Gonal F), depois juntavam-se uns comprimidos que eu já tomara antes (o Dufine), passados uns dias acrescentaríamos mais uma injeção (o Orgalutra) que o Dr. Paulo Vasco fez o enormíssimo favor de me omitir que seriam o verdadeiro teste e não me deixou sofrer por antecipação e para terminar esta equipa fantástica de estimulação ainda apareceria mais uma caneta/injecção (o Ovitrelle). Tudo isto dado sempre à mesma hora, uma qualquer a nosso gosto, mas em que fosse garantido algum repouso após a sua administração.
O João disse logo que não me conseguiria dar as injeções com medo de me magoar. O Dr. Vasco disse que acreditava que eu iria conseguir e com a ajuda da Oksana (a maravilhosa enfermeira que nos acompanhou quase sempre nesta aventura) tudo iria parecer mais fácil. Eu estava zero confiante. Eram anos de trauma associados a seringas, sangue, vacinas e sempre com o mesmo desfecho… os malditos suores frios, a sensação do sangue todo me fugir da cabeça e o escuro que os meus olhos acabavam quase sempre por ver terminando em desmaio.
Meu deus como é que eu conseguiria? Como? Sempre soube que não seria mais nem menos do que qualquer outra mulher nestas circunstâncias ou piores e que alguma solução encontraríamos, mesmo que isso significasse ir a um centro de saúde ou hospital todos os dias para me ajudarem a fazer o tratamento.
A esta distância consigo dizer que os afetos conseguem tudo… e naquele dia eu e o Dr. Vasco trocámos o aperto de mão que formalmente trocávamos anteriormente pelos beijinhos. Acho que foi a forma dele me dizer “miúda tu consegues”. Voltaríamos 4 dias após o primeiro dia da menstruação para ver a reação do corpo.
Descemos as escadas e à minha espera estava a Oksana, uma enfermeira de sotaque de leste, maior do que eu de cara fechada e que à primeira vista nos impunha (muito) respeito. “Não julgar o livro pela capa” ouvimos tantas vezes dizer e é verdade. A Oksana é uma profissional de mão cheia que nos confere toda a confiança que nos foge, toda ela é positividade e confiança e nem nos dá aso a hesitações. Mal dei conta tinha uma caneta/injeção numa mão e uma bola de esponja na outra e já estava a picar para sentir a pressão que as duas coisas juntas produzem. Sem tempo para pensar muito. Sem complicações. No momento seguinte já estava de camisa levantada e com uma caneta (vazia) apontada à barriga. Como?? Ai!!!! E agora? Ela espetou … ela espetou-me… e eu tive de olhar. Eu tinha de ver a posição da caneta, toda eu tremia por dentro pois já me estava a imaginar a desmaiar ali aos pés da Oksana. A verdade é que não aconteceu. Vi. E repliquei. Este era a minha primeira conquista… eu acabara de me espetar e não tinha acontecido… nada! Na verdade estas canetas têm uma agulha muito muito fininha o que faz com que mal se sinta a picada, apenas temos de garantir que o líquido que temos de deixar correr é a quantidade que nos foi prescrita e que esta entra na totalidade. Irei para sempre lembrar-me da cara da Oksana com ar triunfal “eu disse que era fácil” e eu só pensava “e agora fazer isto sozinha em casa?”. Mas não era tempo para complicar. Era tempo de agradecer termos dado mais este passinho.
Saímos dali de mãos dadas e a pensar que os próximos dias teriam de ser assim… cúmplices, fortes e com a certeza de que este era o caminho certo para nós. Era este o caminho que sempre nos estivera reservado e que a meta seria o nosso sonho.
Believe! Acreditar, sempre!

06/02/2017

COISAS QUE ME ENCANITAM #16


Telefone toca pela enésima vez, o mesmo numero que tenho ignorado há dias, mas hoje até estou em arrumações e decidi arrumar este assunto de vez:

Call center - Estou sim estou a falar com a D. Sara?
SSF - A própria!
Call center - como é nossa cliente de fatura há muito tempo temos uma OFERTA para si
SSF - Disse uma oferta correto?
Call center - Sim sim... tem direito a isto e a isto e mais isto e aquilo e mais o outro e mais ainda ... e blá blá blá por apenas X por mês que ficará já ativo na próxima faturação
SSF- O valor que me acabou de dizer é mais do que eu pago correto?
Call center - Sim...
SSF- Então o que a minha operadora me está a OFERECER é ter mais serviços por mais dinheiro por mês correto?
Call center - Bem na verdade....
SSF- Deixe lá não se mace... quando tiverem uma verdadeira OFERTA para me dar liguem-me caso contrario tudo o que acrescente um valor à minha mensalidade não é uma oferta real mas sim mais uma forma de me prenderem por mais dois anos e aumentarem a faturação. Obrigadíssima mas declino a vossa gentil oferta.

O que eu adoro o maravilhoso mundo das ofertas PAGAS... com o único objetivo de faturar mais e fidelizar o cliente por mais tempo.

04/02/2017

PECADOS (QUASE) MORTAIS DE UMA GRÁVIDA #1

Não voltarás a beber água assim que acordas sob pena de vomitares a peru do natal de 2014. Comer sempre umas bolachinhas (secas e desinteressantes) até que a papa que tens na boca se enrole, enrole, enrole até que não tenhas outra hipótese senão... engolir!

Aprendeste Sara Maria?

02/02/2017

PARA VOCÊS MEUS AMIGOS


Há quem os coloque espartilhados por adjetivos. Há quem prefira mantê-los distantes uns dos outros. Eu prefiro deixá-los soltos. Livres. Aprendi a não exigir (que difícil é esta lição), aprendi a libertá-los de qualquer tipo de obrigação, aceito-os como são (ou tento, vá). Por vezes custa não os sentir mais próximos, mais presentes, mas amar também significa deixar ir. E eu amo os meus amigos.

Os meus amigos são reais, mesmo quando se vestem de uma aparente virtualidade. Eu sinto-os, tocam-me mesmo quando estamos a quilómetros de distância. Eles existem de várias formas: os que antecipam a minha queda, os que me dão a mão e caem comigo e os que me deixando cair logo se apressam a estender-me a mão para me ajudar a levantar. Todos me fazem falta e de todos recebo lições de vida memoráveis e imprescindíveis. Os meus amigos são assim.

No último ano aprendi que por vezes temos de os deixar ir, que temos de aceitar que têm outro caminho para percorrer mesmo que este aparentemente os leve para longe de nós, mas que caso queiram e o desejem poderão sempre regressar. Não sei se serei a mesma mas serão sempre bem-vindos.

Não sei viver sem eles ainda que muitas vezes prefira fechar-me na minha cápsula aparentemente hermética. Não julguem que me esqueço de vocês. Nunca! Tenho saudades da mesma forma, choro quando penso no tanto que já me deram e que nunca ousei pedir-vos e no muito que a vida ainda nos reserva no futuro. Os meus amigos aceitam os meus silêncios (até aqueles que são insuportáveis para mim), mesmo que os questionem e procurem uma explicação para eles, vivem com os meus momentos de solidão e, mesmo assim não os entendendo, respeitam-nos.

Os meus amigos são realmente meus e tenho ciúmes deles. Sim! Admito-o. São meus e se me fosse possível viveriam todos bem por baixo da minha asa. Ficariam ali… acessíveis, protegidos de tudo e de todos. Mas a amizade é mais, muito mais! Implica ceder, respeitar, amar mesmo que à distância, implica concordar discordando, ouvir o que não estamos à espera mas que ainda assim precisamos.

Os meus amigos são dos meus maiores tesouros, aqueles que não tendo preço são sem dúvida os meus bens mais preciosos.

Há quem insista em encaixá-los numa qualquer definição escrita num dicionário. Eu acho-o redutor. Depois há ainda os que se mascaram de amigos (que isto da amizade não é assim tão linear como aparenta ser): amigo da onça, amigo de Peniche, amigo do alheio, amigo do peito,… aí temos de os olhar com sentido crítico e separar o trigo do joio.

Os amigos dão trabalho, requerem atenção, mas o que fazer sem eles? Como viver sem eles? Não sei! A verdade é que não sei mesmo. Nem quero!

Hoje no dia dos amigos eu apenas vos quero dizer: obrigada! Obrigada pela vossa amizade. Obrigada por ainda serem meus amigos. Obrigada por ainda sentirem vontade de serem meus amigos. Obrigada por serem uma parte fundamental de mim. Obrigada acima de tudo por não desistirem de mim. Sem vocês, meus amigos, seria tudo mais difícil, seria tudo mais penoso e tudo perderia uma parte do encanto.

Feliz dia dos AMIGOS!

01/02/2017

MEMÓRIAS DE UMA MÃE EM CONSTRUÇÃO #7


2 Abril 2016


Foi neste dia que começou o meu processo de cura. Foi naquele dia de Abril que se iniciara aquela que viria a ser uma das mais duras e gratificantes aventuras da minha vida. O que aquela peregrinação representou para mim jamais conseguirei expressar por palavras. Sei que a vida me juntou às pessoas certas e sem elas nada teria sido possível. Sei que tinha ao meu lado o melhor companheiro de vida que poderia escolher. E sei que cada passo que dei foi por gratidão, pois muito embora algumas coisas não tivessem corrido como desejaríamos, a verdade é que havia muito a agradecer. Foi uma peregrinação de fé em que o obrigada esteve sempre presente.

Não vos vou maçar com a descrição do que foram aqueles 3 dias pois já escrevi sobre eles ( basta clicarem sobre cada um dos dias 1 Dia , 2 Dia3 Dia) mas garanto-vos que se cravaram na minha pele e que por mais coisas que viva estes 3 dias jamais serão esquecidos.

Estava pronta. De pés em sangue e sem conseguir calçar o que quer que fosse mas de coração sanado e preparada para o que vida teria reservado para mim. Para nós.

Foi necessário deixar o tempo correr. Sempre o tempo. Tempo para que corpo recuperasse na totalidade da miomectomia. Tempo para a cabeça e o coração apaziguarem. Tempo para repetir exames e análises. Sempre o tempo.


19 Julho 2016

Finalmente chegou o dia de conhecer a AVA clinic e todos os profissionais que seriam tão importantes nesta nossa caminhada. Entrar ali era entrar num local estranho que nos metia algum receio mas ao mesmo tempo que nos suscitava esperança. Era ali naquele local que estávamos a depositar todas as nossas esperanças e sonhos de aumentarmos a nossa família.
Mostrámos os exames todos ao Dr. Paulo Vasco e mais uma vez ele reforçou a ideia de que nada apontava para que fosse impossível engravidarmos e que no fundo apenas precisaríamos de um folículo para que surgisse um ovulo, e um embrião, e uma gravidez e um bebe. E acreditem ou não é a frases como estas que nos agarramos para que tudo se torne menos penoso.
Ele explicou-nos mais ou menos em que consistia o tratamento, após a menstruação, teria de ministrar umas canetas de medicamento (Gonal) que fariam uma estimulação aos ovários, segundo um plano que ele nos daria. Neste momento eu tremia por dentro. Desde pequenina que tinha pânico de agulhas e sempre que ia levar uma vacina ou retirar sangue, toda eu era suores frios, chegando mesmo a desmaiar, como é que eu iria dar injeções na barriga a mim própria? Como? tentei rapidamente desviar dali o pensamento e não me focar nos problemas mas no discurso de esperança que tao sábiamente o Dr. Vasco nos acabara de dirigir.
Estes tratamentos exigem uma enorme disciplina pois a medicação tem de ser ministrada todos os dias à mesma hora e requerem algum repouso, alem de que se trata de medicação que não pode ser sujeita a oscilações de temperatura. Estes provocam ainda vários sintomas, nomeadamente inchaço dos ovários e algumas moinhas, pelo que não seriam compatíveis com os dias  de ferias que se aproximavam. Rapidamente o Dr. Paulo Vasco nos disse que não íamos adiar esses dias, que tínhamos de os gozar e olhar para eles como um incentivo ao que estaria à nossa espera quando regressássemos. Acatámos o seu sábio conselho e a próxima consulta seria marcada para o dia em que a menstruação surgisse, pós período de férias.

A nossa aventura numa clinica de fertilidade estava quase a começar. Agora sim sentíamos um frio na  barriga mas enquanto tivéssemos os braços um do outro tudo ficaria bem. Acreditar, sempre!

(continua)

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