12/01/2017

OS FERREIRA FORAM AO CINEMA #7

Nem sempre os nossos gostos cinéfilos estão em sintonia e por isso temos uma espécie de regra cá em casa, intercalamos uma escolha minha com uma escolha dele, e assim vamos mantendo um certo equilíbrio.

Ora se o ano tinha terminado com a minha escolha em ver o "Beleza Colateral" o inicio de 2017 aguardava-me com uma seríssima penitencia (já aqui falei várias vezes desta minha incapacidade de entender o fenómeno) mais um episódio da eterna guerrinha das lâmpadas ou como a maioria da humanidade conhece "Rogue One - Uma história Star Wars".

Grávida, consegui negociar com o senhor marido uma embalagem de M&M´s crispy para me ajudarem a digerir os 133 minutos de filme que me esperavam. Mas a verdade minha boa gente é que de todos os que vi este foi o que mais me entreteve. Não sei se devo isso ao meu estado de graça pois este aborda a temática familiar, se por estar mais velha e mais tolerante, se por me estar a habituar a este tipo de filmes, a verdade é que não dei o tempo por mal empregue e nem sequer tive necessidade de enfardar o pacote de chocolates até ao fim (nota mental sobre este assunto - nunca colocar uma embalagem de chocolates por baixo das mãos mais de 5 minutos sob pena de ficarem todos coladinhos uns aos outros pelo imenso calor humano que produzo neste fase).

Para mim estes filmes começam a ser como o "Melhoral" - Não fazem bem nem mal! Bons filmes para todos!

11/01/2017

MEMÓRIAS DE UMA MÃE EM CONSTRUÇÃO #1



Um esclarecimentos antes de dar inicio a este diário... esta é a nossa historia e não é de todo o generalizar de fatos, acontecimentos e pessoas. Cada caso é um caso, e não há receitas miraculosas. estas palavras apenas pretendem, e porque foram varias as pessoas que mostraram interesse em saber mais (porque se sentem próximas por algum motivo a tudo o que se passou connosco) ajudar de alguma forma. Se no final de tudo isto uma pessoa se sentir melhor com a nossa historia de sucesso então tudo terá valido a pena. Este diário surgiu pela minha necessidade de materializar os meus medos e receios sem alarmar os que me amam e que leem este espaço...


Maio de 2015...

"Após meses a tentar que a natureza cumprisse a sua parte nesta luta pela natalidade decidimos que o serviço nacional já não preenchia as nossas necessidades. À porta dos 40 e sem nos sentirmos apoiados pela nossa médica de família e que apenas nos dizia “relaxem, isso é o sistema nervoso a funcionar contra vocês”, sem equacionar sequer em nos encaminhar para um serviço mais assertivo no nosso caso. Procurámos entre os amigos referências de médicos e um nome surgiu no imediato. Uma médica que não reunia o consenso no que diz respeito à simpatia e afetividade mas cujo curriculum e o reconhecimento pelos pares nos permitia acreditar que podia ser por ali. Marcámos consulta na Cuf de Cascais, afinal de contas era para um momento como este que eu andava a pagar o seguro de saúde.
Confirmou-se tudo o que tínhamos lido sobre a médica. Aparentemente sisuda e de cara trancada, um nadinha bruta mas no final de contas não estávamos ali para fazer amigos mas sim para ter uma opinião competente. Logo na primeira consulta e após uma eco vaginal foram-me detetados 3 miomas e um deles de grande dimensão (a maioria dos miomas são benignos porem quando se trata de um mioma de maior dimensão este pode degenerar em cancro). Assim de repente estava detetado um dos fatores que não estaria a permitir a nossa gravidez, outros apenas poderiam ser tomados em linha de conta após uma bateria de exames, que ambos teríamos de fazer. Eu sou pessoa que prefere verdades cruéis a mentiras piedosas e o facto de haver ali qualquer coisa que não estava bem de alguma forma deu-me algum alento pois agora eu sabia o que tinha de combater. 3 Bolas que existiam no meu utero que estavam a mais. Tinham de sair!
Exames marcados, exames feitos, resultados vistos e revistos e os miomas pareciam ser mesmo um dos fatores a ter em conta bem como o facto da minha reserva de folículos (a mulher nasce com a totalidade dos folículos e ao longo da vida eles vão “morrendo”) já ser de uma pessoa com quase quarenta anos e cuja mãe teve indícios de menopausa precoce (esta parte é muito importante pois a menopausa da mãe por norma dá indícios de que a filha poderá também ela ter a menopausa na mesma altura)
O tempo não jogava a nosso favor. Começamos a fazer medicação (Dufine e ácido fólico) pois caso a gravidez acontecesse nestes meses de verão (em que se diz que andamos todos mais alegres, soltos e fofos) seria perfeito e íamos vigiando os miomas de forma mais regrada ao longo da gravidez mas a médica decidiu que ficaria já marcada uma miomectomia em Setembro.
Assim que ouvi o nome miomectomia, claro, fui logo pesquisar e percebi que existiam vários métodos e o mais recorrente nos últimos tempos era vulgarmente chamado de furinhos, por laparoscopia, a outra de barriga aberta assustou-me um bocadinho confesso. Mas não quis pensar muito nisso e fui de férias… fomos de férias com os trabalhos de casa anotados (se é que me entendem)"

(continua)

10/01/2017

OS FERREIRA FORAM AO CINEMA #6

No penúltimo dia do ano de 2016 assistimos no cinema, possivelmente, a um dos mais belos filmes dos últimos tempos. E atenção que eu disse belo não disse bom para que não restem duvidas pois não é a obra prima do cinema contemporâneo porém é de uma beleza indiscutível- Beleza Colateral. As minhas hormonas é certo que andam ao rubro e que a lagrima anda sempre saltitante nos meus olhos e fartei-me de chorar, nem as 15 pipocas que comi me distraíram (sim o senhor marido racionou-me as pipocas, sou praticamente uma gravida em sofrimento ao nível da pipoca).

Se estes senhores não eram suficientes para nos levar ao cinema Will Smith. Edward Norton, Kate Winslet e Helen Mirren, as três palavras que definem este filme AMOR, TEMPO e  MORTE eram certamente. São estas 3 palavras que dão o mote para uma trama dramática que fala de um bem sucedido publicitário cuja filha morre fazendo-o mergulhar numa depressão profunda. Will Smith é este pai completamente perdido e que outrora fora um genial publicitário inspirador. Com a perda da filha ele vê-se forçado (como forma de expurgar a sua dor, ou tentar) a escrever não a pessoas mas a estas 3 entidades que foram a sua inspiração durante tanto tempo. O filme depois fala da forma que os sócios/amigos encontraram de o tirar desta depressão profundíssima contratando atores para encarnarem o amor, o tempo e a morte. E se este gesto ao inicio tinha uma componente apenas de fazer sobreviver o negocio com o desenrolar da trama percebermos que cada um deles também se vai deixar tocar por estas entidades e que será uma verdadeira lição de vida para todos.

Como disse não é O filme dos filmes mas para mim, e reforço para mim, é um filme muito bonito, com uma poética que nos toca e nos afeta na medida que nos leva a pensar que a vida de facto se rege quase sempre por este medo da morte, a vontade de amar e ser amado e a procura por ter mais tempo para gastar no que nos faz felizes.

Resumindo : É um filme que se vê bem em casa com a mantinha sobre as pernas, aninhados na nossa parte favorita do sofá e com a cabeça juntinha a alguém que amamos agradecendo todas as  bênçãos que a vida nos proporciona.



06/01/2017

EU, SARA, ME CONFESSO

Sabem quando o que estão a viver é tudo o que sempre desejaram mas sem saberem?

Durante muitos anos eu vivi com a certeza de que ser arquiteta era o meu sonho maior. Viver arquitetura, ver arquitetura, pensar arquitetura era tudo o que eu queria e desejava. Desde os 6 anos que era este o sonho a concretizar. Depois cresci, sempre com esse foco, fui para a António Arroio com 13 anos, fui para o ar.co, todo o caminho percorrido tinha como meta final chegar ao curso de arquitetura. Cheguei lá, fi-lo de um sopro só, sem exames  nem cadeiras deixadas para trás. Terminei o curso com uma boa media, 16. Terminei o quinto ano com uma media ainda melhor, 18. E finalmente dei por mim licenciada em arquitetura. Para se ser arquiteto o caminho ainda não estava terminado. Exerci a minha profissão por doze anos consecutivos. Aos poucos a desilusão apoderou-se de mim, não pela arquitetura porque essa nunca irá perder a capacidade de me emocionar, mas com a classe que a exerce e com todo o jogo de poder e de divas que a envolve. Com os meus pares. Com os meus colegas. O meu sonho tornou-se em algo com que já não me identificava.

Voltei-lhe as costas. Experimentei outras coisas. Cresci. Casei. E a vida mostrou-me um sonho maior, o que sendo um desejo sempre presente nunca teve as proporções que viria a tomar. O verdadeiro sonho. E voltei a arregaçar as mangas. Voltei a encher os pulmões de oxigénio e lutei. Lutámos. Agora a procura do sonho é repartida e é tudo mais fácil, mesmo quando sentimos que nos escapa.

Sabem, seria fácil, hoje, dizer que foi tudo maravilhoso e que agora que sentimos o nosso sonho dentro de nós e que não o vamos deixar escapar e que tudo o resto ficou para trás. Não! Não! Enganem-se. A felicidade que sentimos é incomensurável mas a dimensão da nossa luta não foi menor. Não fomos os únicos a passar provações e infelizmente não seremos os últimos, mas é importante lembrar de onde vimos para sermos ainda mais gratos pelo que temos à nossa espera.

Sim, ser mãe é o meu sonho. Este sim é o verdadeiro sonho que me faz lutar contra tudo e contra todos. O abandono da arquitetura levou-me à depressão (juntamente com outros fatores) a luta pela maternidade levou-me à superação. Fez-me crescer, fez-me lutar realmente pelo sonho maior. Por isso jamais apagarei tudo o que passei, tudo o que passámos, tudo o que fizemos passar (porque quem nos ama também sofre, em silencio com medo de incomodar). Nao esqueço que me olhavam como se eu fosse de papel, uma espécie de peças de dominó empilhadas de forma complexa e que ao mínimo sopro desmoronariam.

A luta conta a infertilidade ou a luta pela fertilidade, como preferirem, é dura. É muito dura. Duríssima. E coloca todos à prova. Talvez por isso e uma vez confrontados com esta palavra haja uma necessidade de encontrar palavras com que nos identifiquemos. Não queremos estar sós. Precisamos de identificação. De sentir alguma normalidade em algo que aparentemente não é normal. E eu não fui diferente... procurei palavras, procurei pessoas, procurei respostas às milhentas perguntas que se iam acumulando na minha cabeça (não as cientificas porque essas são fáceis de encontrar, mas as outras, as dos afetos). E confesso que não encontrei muitas. Pensei muito sobre isso e confesso que ainda não entendi o tabu. Não cometemos crime algum. Somos um casal cujo destino apenas nos cruzou numa fase mais avançada da vida (se é que aos 34 anos se pode falar em idade avançada, mas a verdade é que sim nesta questão da infertilidade) e que por essa razão, acima de tudo por essa razão, não tiveram a possibilidade de ser abençoados com um nascimento porque o corpo assim não o entendeu. Se a vida me ensinou algo, e atenção que esta lição é muito pessoal e é o meu lema de vida, é que apenas podemos curar o que verbalizamos. E a minha forma de filha única de "verbalizar" é escrevendo. Assim sendo, neste espaço que tem tanto de meu como de vosso, vai surgir um tópico sobre toda esta aventura que vivemos, que vivi. Será uma historia em que fui um pedacinho spoiler pois ja sabem que terminará em bem (assim o desejamos) mas uma historia verdadeira. Sem florzinhas nem rococós. Com todos os meus medos, inseguranças, frustrações, conquistas, lutas,... acima de tudo com uma honestidade crua... e se no final as minhas palavras tocarem uma pessoa que seja que está a viver esta realidade, então eu sentir-me-ei ainda mais abençoada (e olhem que estando gravida de gémeos o nível está bem elevado). Preparados para me acompanharem nesta viagem?

Brevemente #memórias de uma mãe em construção


05/01/2017

SERÁ QUE VOS CONTÁMOS TUDO?

Ontem foi um dia tremendamente abençoado pois fomos acarinhados por todos de uma forma que nos surpreendeu! Sempre senti que há pessoas que me acompanham diariamente que são verdadeiramente reais nos seus sentimentos e no afeto com que me vão brindando, mas ontem foi tudo em mais e mais. Tanto eu como o João ficámos de coração cheio e queremos agradecer a TODOS todas as palavras de carinho e queremos retribuir em dobro.

Mas vamos ao que interessa, será que ontem desvendámos tudo o que se passa na nossa vida? A verdade é que não! Alguém lá em cima (e a ciência também no nosso caso) achou que estava na hora de nos retribuir em dobro o que tanto pedimos e por isso....


Maravilhoso não é? Pois... tem dias!! É que esta noticia tem tanto de maravilhosa como de assustadora. Mas é claro que estamos a transbordar de alegria e a partir de agora a democracia será uma realidade na casa dos Ferreira pois não haverá aquela coisa de "hoje é a tua vez" , nãooooooooooo, todos os dias vão ser "a nossa vez" pois com dois pequeninos a coisa vai ser, no mínimo, desafiante.

Preparados para nos ajudar?

04/01/2017

O MELHOR DE 2016 E O MAIS MEMORAVEL DE 2017

Finalmente podemos partilhar com todas as pessoas que fazem parte da nossa o melhor que 2016 nos trouxe e o mais memorável que 2017 nos trará...


Finalmente podemos gritar CONSEGUIMOS e somos tão abençoados!


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