Mostrar mensagens com a etiqueta Gémeos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gémeos. Mostrar todas as mensagens

21/02/2018

PLAGIOCEFALIA E BRAQUICEFALIA - PALAVRÕES A COMBATER

Já aqui falei anteriormente do problema do nosso guerreiro Pedro. Desde os dois meses que a pediatra, muito atenta o reencaminhou para a fisioterapia de forma a combater um torciolo e uma hipotomia axial acentuada. Paralelamente a isto o Pedro tinha ainda uma PLAGIOCEFALIA E BRAQUICEFALIA claras. Ambos os palavrões são muito comuns em bebes prematuros (porque é nas ultimas semanas de gravidez que o crânio fortalece), em gémeos (porque dentro do útero não havendo muito espaço ficam muito restringidos) e em cesarianas pois não passam pelo canal vaginal onde os ossinhos do crânio ficam todos alinhadinhos. Ora o nosso Pedro é fruto de tudo isto que acabei de escrever logo... estranho seria se nenhum dos nossos pequeninos não se cruzasse com um destes palavrões. 
Para elucidar um pouco a quem está a ler o que é a plagiocefalia e a braquicefalia aqui fica uma explicação simples e sem grande pretensiosismo: 

Plagiocefalia – este é o tipo mais comum e ocorre quando a cabeça é achatada de um lado, fazendo com que pareça assimétrica e distorcida. Por exemplo, as orelhas pode estar desalinhadas e quando visto de cima da cabeça, essa diferença é inequívoca.

Braquicefalia – isto é, quando a parte de trás da cabeça se torna achatada,.

Para acompanhar a plagiocefalia e a braquicefalia escolhemos aos 3 meses a Dra Paula Rodeia (conforme já tive oportunidade de escrever) e é ela que tem seguido os nossos pequenitos.

Ora na consulta dos 4 meses foi detetado no Pedro um desvio de 12mms de uma orelhinha para outra (olhando de cima) o que justiçaria o uso terapêutico de capacete. Porém, e dada a sua tenra idade, foi decidido pela equipa medica e por nós pais que iriamos aplicar outras medidas (como mais tummy time, andar mais de mochila, continuar a dormir com a sua mimos, e cada vez menos tempo em cadeiras que obriguem a ter a cabecinha encostada) e esperar por nova analise passado um mês. De notar que a assimetria do Pedro é apenas das orelhinhas para trás e não identificada quando olhamos para ele de frente.

Passou um mês e aos 5 meses o Pedro tinha passado de 12mm para 8mm de diferença o que nos dava esperança de que estávamos no caminho certo e que o capacete não seria uma realidade (alerto para o facto de não me chocar nada o uso do capacete, mas apenas em casos estritamente necessários) e perante isto decidimos, mais uma vez, aguardar.

Na consulta dos 6 meses a realidade foi mais dura e o Pedro tinha passado de 8 para 10mm, a sua cabecinha tinha crescido e aumentado a diferença anterior. Confesso que não estávamos preparados para o retrocesso e ainda menos ao que a Dra. Paula tinha para nós : "colocamos capacete daqui a 15 dias". Mas como? Se num mês tivemos uma evolução positiva e no outro um negativo não seria expectável que esperássemos outro mês para de alguma forma perceber qual a tendência? Saímos da consulta com a certeza de que teríamos de procurar novas opiniões (ou a mesma) de outros técnicos de saúde de forma a tomar uma decisão bem fundamentada e que deixasse o nosso coração mais apaziguado. E assim fizemos. Disparámos literalmente para todos os lados e colocámos os nossos amigos no terreno de forma a encontrar respostas para o nosso Pedrinho.

As Anas foram uns anjos (mais uma vez) que caíram nas nossas vidas e logo conseguiram uma consulta com o chefe de cirurgia do Hospital da Estefânia, o neurocirurgião Dr.. Mário Matos. A nossa terapeuta aconselhou-nos um osteopata fantástico com crianças da clinica Kinetic, o Gonçalo. Uma amiga da minha mãe conseguiu-nos uma consulta com a neurocirurgiã Dra. Cláudia Faria do hospital de santa maria (que fora o braço direito do Dr. João Lobo Antunes recentemente falecido). E a minha prima conseguiu-nos uma consulta de urgência com o neuro pediatra Dr. Nuno Lobo Antunes. Depois de tudo isto sentimos que estávamos a fazer a nossa parte e que tínhamos na mesa técnicos e especialidades que nos iriam ajudar a tomar a decisão mais acertada.

(continua)

Nota- infelizmente eu sei que muitas das pessoas não terão a mesma facilidade que nós tivemos em marcar com tantos técnicos credenciados e com créditos dados em tao pouco tempo. Infelizmente o sistema nacional de saúde não se compadece com urgências deste tipo e por isso foi graças à nossa cadeia de amigos que o conseguimos. E como a gratidão é memoria do coração nós somos imensamente gratos a todos.

18/02/2018

7 MESES DE NÓS

E é o maior dos clichés da maternidade mas também o mais cruel... o tempo realmente passa muito depressa. Não se consegue absorver todas as conquistas, todas as descobertas dos nossos pequeninos e então com dois esse é um desafio ainda mais difícil. Resta-me escrever para que fique para memoria futura...

Olhar para o Pedro é ver-me. É ver o avô luís. É ver o bisavô Luís que nunca conheci. É sem duvida o mais parecido comigo de aspeto e isso leva-me a pensar numa questão que a Dra. Ana (psicóloga da AVA clinica que nos acompanhou) nos colocou "a carga genética é importante para vocês?". Só agora percebi a dimensão desta pergunta. Só agora é que penso como seria se o meu bebe não trouxesse este legado que agora reconheço no Pedro. Na altura ambos dissemos que não era importante mas a verdade é que agora que estamos confrontados com dois seres maravilhosos buscamos neles pedacinhos de nós, bocadinhos de pessoas que amamos e rejubilamos sempre que reconhecemos neles coisas "nossas". Mas regressemos ao Pedro até na paixão pelo pai é parecido comigo.É vê-lo derreter mal o pai chega ou olha para ele. Cheira-me que vou ter de marcar bem o meu território senão fico órfã de filho mais velho (estou a brincar como é obvio).  Foi o primeiro a chuchar no dedo do pé, e quem diria logo ele que era o menos mexido (obrigada querida Rita por ser a fisioterapeuta mais querida e profissional do hospital da luz, perdoem-me todas as outras) agora é vê-lo seguras nos dois pezinhos com uma destreza enorme e a balançar como se fosse uma folha de papel ao vento. Longe vão os tempos em que deixavas cair a tua cabecinha e com ela caiam as minhas lagrimas por não te conseguir ajudar. Estes 7 meses trouxeram um Pedro reguila, que vira e revira com ansia de tocar em tudo e descobrir tudo. Tudo lhe serve para colocar em pratica o contorcionismo que adquiriu na fisioterapia. Bebe água a medo pois não lhe acha grande piada, chupa o pão e comeu a sua primeira metade de uma bolachinha. Conversa muito e anda enraivecido com os dentes que ainda não tem. Tantas evoluções neste filho querido que apenas peço ao tempo que abrande, que se consuma de forma mais lenta para absorver tudo isto.

O Francisco é a curiosidade em estado bruto. O mais observador dos dois. Olha para tudo com fome de conhecimento. Abre muitos os olhinhos, abre os braços, estica-os e grita um "éeeeeee" que representa um quero ver, quero tocar, quero saber o que é... é dos dois o mais físico. Gosta de nos tocar. Faz festinhas (ainda que sob a forma de beliscões muitas vezes), toca-nos quando bebe o leitinho, toca-nos quando está ao nosso colinho. Adora passar a mãozinha pequenina pela barba do pai (o buço da mãe não lhe interessa nada ah ah ah ) e continua a dar as gargalhadas mais contagiantes que conheço. É impaciente e tem lutas infindáveis com o seu coelhinho na hora do deitar. Usa o seu dedinho indicador para tocar naquele pormenor que quase ninguém vê mas que desperta a sua curiosidade de quem está a descobrir o mundo. E se o Pedro se ilumina quando vê o pai, o Francisco fá-lo quando me vê. Tem guardado para mim o olhar mais meloso e doce que alguma vez saboreei (esqueçam os babetes porque a baba desta mãe não tem fim), o sorriso mais rasgado e sonoro que os meus olhos e ouvidos já experienciaram. Tantas reguilices que este pequenino nos faz mas tao maravilhosas. E desconfio que será o mais parecido comigo em termos de feitio pois tao depressa é docinho como o mais fofo dos algodoes doces como é bruto como um trator agrícola. E é dado a um belo dramatismo regado pela sua lagrima facil

Os meus filhos não são os mais bonitos e os mais perfeitos e mais mi mi mi do mundo como muitos pais gostam de gritar aos sete ventos mas são certamente o tudo do MEU mundo. Que venham os 8 meses... estamos preparados!




03/02/2018

MESA PARA DOIS #2

Esta coisa de ensinar pequeninos a comerem como gente grande pode trazer alguns constrangimentos de logística e fazer de nós uns seres menos sociais.
Sempre tentámos que a chegada do Francisco & Pedro não alterasse muito a nossa relação com os amigos, nomeadamente, nas almoçaradas e jantaradas de convívio. Sempre tentámos fazê-lo e assumidamente foi o nosso luxo desde o inicio. É certo que os biberons facilitaram a nossa vidinha até aos 4 meses porém com a chegada das sopas a logística passou a ser outra. Não é opção andar com duas cadeiras de sopa atrás e as que existem na maioria dos espaços comerciais ou de restauração não são adequados a seres tao pequeninos (por norma são a partir dos 6 meses). 
As primeiras sopas (por ingenuidade minha) eram demasiado liquidas e pareciam que tinham vida própria pois fugiam para todo o lado menos para dentro da boca. Se no Francisco a coisa não era grave pois rapidamente se habituou a este novo ritual, no Pedro o cenário foi diferente pois aquela linguinha marota cada vez que saía da toca para ir buscar alimento empurrava a sopa toda para fora. E como esta coisa da maternidade é mesmo uma aprendizagem para pais e filhos, e também nós vamos crescendo e aprendendo com os desafios que eles nos vão colocando, passei a fazer a sopinha deles mais espessa, mais puré. E quando a carninha chegou, aos 5 meses, ambos passaram a comer maravilhosamente bem a sua sopinha. Há contudo um ritual que se mantem desde a primeira colherada: as caretas ao primeiro contacto. Sempre que sentem a primeira colherada da refeição fazem as caretas mais queridas  e cómicas (um dia se o pai permitir eu mostro para constarem o que estou a dizer).

Neste momento os nossos pequeninos já podem dizer que comem mais legumes do que os pais: cenoura, abobora, curgete, couve flor, couve coração de boi, couve lombarda, alface, batata, batata doce, brócolos, brócolos romanescos, nabiças, grelos, frango, peru, borrego e novilho. Com o tempo também nós temos de reaprender a comer de forma mais saudável.

Próximo nível desta aventura: bolachinhas e pão (as papas não entram na dieta dos nossos pequeninos e o glúten que precisam provar vem destes alimentos novos)


30/01/2018

UMA LIÇAO DE VIDA DADA POR UMA CRIANÇA

Sabemos que somos abençoados quando temos nos nossos afetos pessoas especiais. E quando essas pessoas especiais são crianças essa dimensão de afeto é ainda maior.
Hoje fala-vos de uma menina com o olhar mais docinho que conheço. Uns olhos grandes e ávidos de conhecimento. Uma menina que herdou da mãe um coração maior do que o seu corpo. Uma menina que dá mais de si aos outros do que aquilo que recebe de quem lhe deveria dar o mundo.
Esta menina é tão especial que eu poderia escolher todas as palavras queridas do dicionário que ainda assim ficaria aquém do que gostaria de partilhar com vocês.
Esta menina querida quando soube da nossa gravidez foi aos bonequinhos dela, aos seus peluches e fez uma seleção, escolheu os que ela achou que o francisco e Pedro mereciam herdar. Entregou-os à mãe e pediu que esta os enviasse para os gémeos que vinham a caminho. Podem não acreditar mas eu, que sou uma pesssoa muito dada à impaciência e à curiosidade, quando recebi a encomenda não abri. Guardei-a no quarto dos twins e esperei que eles nascessem. Tinha de ser num momento especial. 
Como devem imaginar o Francisco e o Pedro, por todas as razões e mais algumas, não são crianças necessitadas e haverá por este país e pelo mundo meninos a precisar muito mais. Mas estes bonecos são um legado. Estes bonecos são amor e afeto. São um gesto bonito de uma criança que se permite dar um pouco da sua historia a dois meninos que vinham a caminho e de quem ela já gostava.
Eu abri a encomenda e chorei... Eu abri a encomenda e pensei "espero que o Francisco e o Pedro estejam à altura de tomar conta destes bonequinhos e que também um dia eles consigam ter um gesto assim".

Esta menina de quem vos falo hoje é a Mi (filha da minha querida Marisa Barroca) ... e fará sempre parte das nossas melhores recordações e da nossa vida.

Para ti Mi: "Um dia todos os bonequinhos que entregaste ao Francisco e ao Pedro ser-te-ão devolvidos porque essa é uma lição que quero que eles aprendam... o desapego por amor. O desapego por carinho e amizade. És linda. És um ser humano maravilhoso e nós desejamos que a vida te abençoe. Obrigada por estares nas nossas vidas"


17/01/2018

MESA PARA DOIS #1

Chegados à consulta dos 4 meses fomos confrontados com uma grande novidade: "Pais estes pequeninos estão tao bem que não precisam de papas e vamos já introduzir as sopas lentamente!. Como?? Já??? Ainda ontem nasceram e já vão comer comidinha de adulto??? Não quero, daqui a nada já não querem beijos e abracinhos da mãe (qual é a mãe que não passou por isto certo?).

Assim viemos da consulta com uma missão: dar uma sopinha por dia e uma peça de fruta. Para isso é preciso seguir algumas regras que eu confesso achei serem ótimas e super fáceis de colocar em pratica. Primeira sopa: um legume verde + um legume branco + um legume laranja/amarelo, comer esta sopinha por 3 dias e ao fim desses dias substituir uma das cores por outra equivalente e assim aos poucos vamos colocando na rotina alimentar dos nossos pequeninos vários legumes. Com a fruta igual: 3 dias uma peça de fruta e ao fim desses dias substituir por outra.

Fazer a sopa e tratar da fruta é no fundo o mais fácil desta missão de colocar os Francisco e o Pedro a comer comidinha de gente crescida... o pior é mesmo colocar tudo em pratica. Com dois a primeira decisão a tomar foi: precisamos de cadeiras em condições porque nós somos dois e eles são dois e estão habituados a comerem ao mesmo tempo. Pesquisámos imenso e logo percebemos que a maioria das cadeiras giras (para nós claro) são para maiores de 6 meses logo... não dava. Mais uma vez socorre-mo-nos dos conhecimentos de quem sabe e fomos à BABYBLUE e claro... lá estava uma cadeirinha cheia de pinta e muitas estrelas para os meus pequeninos bem ao gosto dos pais (pronto da mãe).


É sempre mais fácil começar pelo menos trabalhoso... ah ah ah. Depois de estarmos artilhados com as colheres queridas que a tia Sandra deu, era tempo de começar esta nova aventura alimentar. Pelo sim pelo não era tempo de nos benzermos porque todos nos avisavam para o pior... Enganem-se. Foi quase fácil esta apresentação da comida de gente grande aos twins. E digo quase porque não fosse o habito do Pedro de chuchar na língua tudo seria mais fácil, porque coitadinho sempre que coloca a linguinha de fora para ir buscar a sopinha, vai mais para fora do que para dentro... mas havemos de lá chegar.

Por isso tias e tios os nossos pequeninos foram uns super meninos e portaram-se lindamente. Vamos ver até quando!




09/01/2018

6 MESES DE NÓS

Seis meses de nós! Seis meses de 4 seres humanos que se descobrem a cada segundo, que se amam de forma inexplicável... seis meses de um amor que não nos cabe no peito.


Estes 6 meses trouxeram um Francisco de olhar docinho, que continua a deliciar com as suas gargalhadas sonoras, descontroladas e queridas e que gosta de fazer festinhas (e beliscões) no nosso rosto. Um Francisco mais calmo na hora de beber o seu biberão, que faz as caretas mais cómicas sempre que prova a sua sopinha (já com carne branca). Um Francisco que nos faz derreter (estamos tão tramados, não podemos deixar que ele se aperceba disso) pela forma apaixonada como nos olha. Um Francisco que aprendeu a brincar com a sua almofadinha em forma de elefante sempre que se vai deitar. Um Francisco que já deixa mudar a fralda sem levantar o seu rabiosque do muda fraldas alertando-nos de qualquer segundo sem o vigiar pode correr muito mal. Um Francisco comilão que adora passear e nesse momento até se esquece das horas magicas da refeição. Seis meses de um filho que nasceu pequenino que decidiu agora crescer como se não houvesse amanha. 

Tempo podes só passar um nadinha mais devagar?

E tu Pedro? O que te trouxeram estes seis meses de existência? Um Pedro conversador que acorda bem disposto e que quer contar ao mundo tudo o que sonhou. Um menino observador, com uma calma aparente mas que aprendeu a refilar como gente grande. Meu Deus e como refila. Grita de forma descompensada e no momento a seguir é como se nada se passasse. Um menino que prefere a sua sopinha com carne (ainda só com frango e peru), que dá as gargalhadas mais queridas (mais tímidas que as do mano e quase todas reservadas para o pai), que continua a espalhar charme com o seu olhar docinho. Um menino que já passa mais tempo sentado na sua cadeirinha Bumbo (que recomendo vivamente) e que continua colaborativo na sua fisioterapia. Um Pedro que sempre que o deitamos na caminha passa as mãozinhas pela proteção das grades e sorri de felicidade. Gosta tanto da sua caminha! Que adormece sozinho depois de virar a cabeça um sem-número de vezes (igualzinho ao seu pai). Um Pedro que já tem nas suas perninhas os pelinhos mais queridos (nesta fase é quase tudo querido mas acho que ele não vai gostar no futuro) e que se baba tanto mas tanto que mais parece um nenuco a fazer bolhinhas.

Estes seis meses passaram sem que déssemos conta de que estamos a meio ano do primeiro aniversario. Seis meses de aprendizagem desta coisa que se chama maternidade/paternidade para a qual ninguém prepara mas que foi tao desejada por nós. Seis meses de demasiadas emoções e vivencias para tão pouco tempo. Seis meses da montanha russa de emoções mais fantástica de todos os parques de diversões do mundo.

Que venham os desafios dos sete meses...




03/01/2018

ASSIM FORAM OS 365 DIAS MAIS INTENSOS DAS NOSSAS VIDAS

Possivelmente estes serão os 365 dias mais difíceis de materializar em palavras. Tal se deve não só ao facto de ter sido o mais marcante para mim enquanto mulher, para mim enquanto mãe e para nós enquanto família e ainda pelo facto do tempo ter ganho outra dimensão. Mas aqui fica uma ideia do que foi...

  1. Grávida! Foi assim que comecei o ano!
  2. Chorei o facto de não me ser possível partilhar com todos esta noticia tão esperada
  3. Vomitei tudo o que comi em 2016
  4. Voltei a comer tudo o que comi
  5. Chorei de alegria quando vi dois corações a bater dentro de mim
  6. Chorei de alegria quando soube que eram dois meninos (eu sabia que era a preferência dele)
  7. Consolidei amizades
  8. Deixei de alimentar muitas.
  9. Umas morreram
  10. Outras ganharam novo fulgor
  11. Chorei de tristeza
  12. Chorei de surpresa
  13. Chorei de alegria mais vezes do que me conseguirei lembrar
  14. Privei-me de comer coisas para o bem dos meus pequeninos
  15. Passei a ter mais cuidado com a alimentação
  16. Adiei o exercício físico que tanto preciso
  17. Vivi picos de ansiedade que desconhecia existir
  18. Tive medo
  19. Tive muito medo
  20. Tive insónias
  21. Tive pesadelos
  22. Sonhei os sonhos mais bonitos de sempre
  23. Imaginei os rostos dos meus pequeninos
  24. Abracei amigos
  25. Deixei-me abraçar
  26. Recebi presentes que me comoveram
  27. Li palavras que acredito ainda não merecer
  28. Comprámos as primeiras roupinhas para os meus pequeninos
  29. Organizámos o quartinho para os receber
  30. Trocámos de carro 
  31. Conhecemos pessoas queridas
  32. Perdi o medo das agulhas (ou parte dele)
  33. Frequentei o hospital mais vezes do que nunca
  34. Tive medo
  35. Chorei
  36. Ri-me
  37. Continuei à espera das palavras que decidi já não esperar
  38. Fiz o luto de pessoas vivas (ou tentei... vá)
  39. Escrevi menos do que precisava
  40. Li menos do que necessitava
  41. Acumulei livros que não sei quando vou ler
  42. Não fui ao meu Alentejo tantas vezes quantas precisava
  43. Deixei de ter pés e pernas
  44. Passei a ter troncos
  45. Achei que nunca mais iria calçar melissas ou ténis
  46. Passei demasiadas horas a vomitar
  47. Perdi anos de vida sempre que íamos a uma ecografia
  48. Apanhámos um susto de morte com um dos nossos pequeninos
  49. Chorei sozinha mais vezes do que imaginei
  50. Chorei sozinha mais vezes do que precisei
  51. Sonhei 
  52. Imaginei conversas
  53. Imaginei partilhas
  54. Deixei de seguir blogs
  55. Deixei de fazer likes por cortesia
  56. Passei a seguir blogs escritos por pessoas e não por agencias de publicidade
  57. Perdi o interesse por varias pessoas
  58. Passou a dar-me náuseas o altruísmo em troca de likes
  59. Ouvi o coração dos nossos pequeninos
  60. Ouvi a palavra mãe dirigida a mim pela primeira vez
  61. Deixei de dar injeções em mim própria
  62. Quase enjoei os meus pratos favoritos
  63. Tive vontade de provar todos os gelados deste mundo e do outro
  64. Não fiz uso dos desejos de gravida
  65. Usei a lei das prioridades
  66. Quase pedi o livro de reclamações de um organismo publico por causa disso
  67. Tive a certeza de que a segurança social está cheia de gente acomodada
  68. Marquei o nascimento dos meus filhos
  69. Escolhemos as roupinhas para eles usarem com todos os cuidados
  70. Soube da gravidez de algumas pessoas queridas
  71. Vi partir familiares de pessoas especiais
  72. O cancro entrou de novo nas nossas vidas
  73. Vivi momentos de angustia 
  74. Quase morri de calor
  75. Trabalhei muito menos
  76. Tive saudades da minha FIOAPAVIO e do bem que ela me faz
  77. Irritei-me com a incompetência de alguns
  78. Passei a ser uma consumidora online fervorosa
  79. Agradeci a enorme graça que recebi
  80. Fui a Fátima
  81. Orei
  82. Chorei
  83. Fui ignorada
  84. Tive saudades de quem morreu
  85. Tive medo por quem está vivo
  86. Fui cortada
  87. Fui cozida
  88. Fui mãe e não chorei
  89. Fui mãe e sorri
  90. Descobri o amor sem limites
  91. Cruzei-me com o amor sem barreiras
  92. Dei de mamar
  93. Chorei de felicidade
  94. Ri de felicidade suprema
  95. Agradeci
  96. Voltei a agradecer
  97. Discuti mais vezes do que queria
  98. Pedi desculpa
  99. Boicotei-me
  100. Vi a minha afilhada ser batizada
  101. Contei a nossa historia na esperança que servisse para ajudar alguém
  102. Vi nascer "sobrinhos"
  103. Vi crescer sobrinhos... à distancia
  104. Tive saudades de coisas que não vão acontecer
  105. Levei pancada e dei a outra face
  106. Levei os meus pequeninos para casa
  107. Tivemos medo por eles
  108. Tivemos medo por nós
  109. Ouvimos os sons mais maravilhosos
  110. Cheirámos as pessoinhas mais especiais de todas 
  111. Passámos a ser uma família
  112. Deixámos de controlar o nosso tempo
  113. Passámos a ser dominados por dois seres mínimos
  114. Fomos às urgências
  115. Fomos felizes
  116. Somos felizes
  117. Caí com o Pedro
  118. Chamei o INEM a nossa casa
  119. Andámos de ambulância pela primeira vez
  120. Chorei lagrimas que julguei já não ter
  121. Passámos mais horas no hospital do que desejei e imaginei
  122. Chorei de alegria de os ter nos braços
  123. Deixei de dormir 
  124. Deixei de comer a horas
  125. Agradeci
  126. Tropecei em palavrões que desconhecia 
  127. A plagiocefalia, a braquicefalia, o torcicolo, a hipotonia axial entraram nas nossas vidas
  128. Vi o Papa na televisão e chorei
  129. Agradeci
  130. Orei
  131. Voltei a agradecer
  132. Limpei cocos
  133. Fui atingida pelo xixi mais maravilhoso de todo o mundo
  134. Deixei de dar de mamar
  135. Fiz mais biberons do que alguma vez me ocorreu
  136. Cheguei a mudar 20 fraldas por dia
  137. Quase morremos de exaustão
 364.  Fui imensamente feliz
 365.  Não mudava nada!

2017 tinha de ser um ano especial pois terminava no meu numero - o 17! Foi o ano em que me tornei mãe de dois meninos caranguejos (como a mãe), foi o ano em que com todos os contratempos vi o meu sonho maior tornar-se realidade e se assim foi... o que dizer dele? Foste imensamente generoso, obrigada! 

Para 2018 "apenas" peço a saúde que todos desejamos porque o resto... nós conquistamos.

Feliz ano de 2018 para todos. Sejam felizes!

19/12/2017

5 MESES DE NÓS

Cinco meses se passaram desde que vocês nasceram.

Cinco meses de desafios diários e constantes que testam a nossa capacidade de improviso. 

Cinco meses de sorrisos rasgados, de choros incompreendidos, de dores malditas que nos esforçamos por evitar, de fraldas mudadas em poucos segundos, de orgulho.

Cinco meses e um amor incondicional e desmesurado.

Os cinco meses revelaram um Francisco mais conversador, que reage rapidamente a todos os estímulos, que se irrita e manifesta a sua vontade com sons que mais parecem um rosnar (querido e engraçado). Um Francisco que faz desta mãe a mais babada de todas as mães quando o apanha a olhar para ela de forma apaixonada (o pai tem um pontinha de ciúmes... eu também teria) e que reserva para ela a gargalhada mais sonora e deliciosa da historia das gargalhadas. Um Francisco comilão e impaciente, que continua a pregar sustos quando bolsa pois é sôfrego na sua forma de comer. Um Francisco que se rebola na cama até conseguir sentir o topo da sua cabecinha na proteção de berço e que fica ali encaixado entre a proteção e o rolo que avó fez para os dividir na caminha (sim aos 5 meses ainda dormem na mesma caminha). Estes cinco meses trouxeram-nos um Francisco que só apetece apertar de tao querido e desafiador que é e que possui um charme e ar maroto que irão fazer derreter muitos corações... o meu já era!

E o Pedro? Que Pedrinho é este que de repente se mexe para todo o lado, sem limitações físicas nem constrangimentos? Os cinco meses trouxeram ao Pedro uma vontade maior de olhar para tudo, de tocar em tudo, de falar pelos cotovelos e refilar como se de gente grande se tratasse chegando a ser divertido fazer com que ele chegasse a esse tempo (quem diz a verdade não merece castigo). Trouxe um Pedro dorminhoco que facilmente o seu biberon por mais umas horinhas de soninho bom. Trouxe um pedro charmoso que continua a dar os sorrisos mais irresistíveis com os seus olhinhos amendoados. Um Pedro meiguinho e querido que já aceita que dormir de lado é o melhor para ele. Trouxe um Pedro (e um Francisco) que descobriram a televisão e o canal Panda ficando completamente vidrados quase sem pestanejar. Estes cinco meses trouxeram um Pedro que teimosamente insiste em colocar o dedo na boca e chuchar mesmo que esteja a ser constantemente contrariado (estou tao tramada) e que é a cara de um avô babadíssimo (e da mãe claro, já que esta é igual ao avô).

Foram sem duvida 5 meses de descobertas mutuas regadas por todo o amor que é humanamente possível de sentir. E foi aos 5 meses que os meus pequeninos se descobriram... que olha mais um para o outro, que se tocam mas ainda sem se ligar grande importância. O que pensarão?

O que virá a seguir?


18/11/2017

OBRIGADINHA SIM !?!?!? #9

Mais um apelo às marcas deste país de uma mãe de gémeos desesperada: "Por favor copiem moldes de babygrows fáceis de usar e que funcionem ok?"

Um babygrow deve ser fácil de vestir de preferência sem molas atrás (muito menos botões) porque os pequeninos estão muito tempo deitados e (este é mesmo um pedido desesperado) totalmente fechados entre as pernas. Por favor as fraldas NÃO SÃO PARA SE VER certo? Agora que nos entendemos mãos à obra sim?

Obrigadinha!!!!

16/11/2017

OBRIGADINHA SIM !?!?!? #8

Quão difícil é encontrar uma peça cinzenta lisa (camisola, t-shirt, body, camisa, casaco) para os meus gémeos? Quase IMPOSSIVEL (e escrevo quase porque valha-me as marcas de venda por catalogo online para me safar).

Marcas portuguesas andamos a dormir certo??? Sabem que folhos e folhinhos já não é para toda a gente certo? E rosa para menina e azul para menino já lá vai há muito tempo... Atualizem-se por favor.

Ahhh e já agora façam peças com molas e não botões que mal conseguimos abotoar em crianças tão pequeninas. Agradecida

15/11/2017

OBRIGADINHA SIM !?!?!? #7

O meu filho Francisco tem um problema sério para resolver ao longo da sua vida... caso não lhe passem os ataques de diva prima-donna. De todos os locais giros e agradáveis que existem cá por casa ele tem como locais favoritos, espantem-se: casa de banho social e o colchão do muda fraldas!

Ahhh também é bastante feliz em qualquer local com o maior números de "luxes" possível, nomeadamente, na zona de iluminação do Ikea ou da Leroy Merlin.

E agora? diga-me lá isto tende a piorar? Ou passa com a idade?

13/11/2017

PERDOA-ME MEU AMOR SE O AMOR NÃO CHEGA


Perdoa-me meu guerreiro se as lagrimas que me escorrem pela cara não curam as tuas pequenas imperfeições.

Perdoa-me se quando te aconchego entre as minhas mãos estas não te moldam de forma a que tudo se encaixe na normalidade que se exige.

Perdoa-me se fraquejo quando olho para os teus olhinhos sorridentes e antevejo a impaciência e algum desconforto que te esperam.

Perdoa-me se esta que te escreve não chega para atenuar qualquer dor que venhas a sentir.

Perdoa-me se o meu abraço não te impede de seres um menino com algumas limitações no futuro.

Perdoa-me meu guerreiro se as lagrimas que me escorrem pela cara não te levam as marcas de uma gravidez gemelar.

Perdoa-me meu pequeno grande tesouro se este amor incomensurável que carrego no peito fica aquém do que precisas.

Perdoa-me se por momentos as dificuldades do futuro se sobrepuseram às conquistas do passado.

Perdoa-me se mesmo que por segundos me deixei levar pela duvida e não fiz juz à luta que iniciámos tão la atrás.

Perdoa-me meu guerreiro se esta mãe que escolheste e que dá a vida por ti não tem o poder curativo.

Simplesmente perdoa-me meu amor.

Perdoa-me!

12/11/2017

OBRIGADINHA SIM !?!?!? #6

Há muito que ouvia falar na loja Outlet da Chicco situada em Queluz. mas confesso que nunca lhe dei grande importância... acontece que com dois bebés não podemos dizer que não a uma boa pechincha! Desta forma lá convenci o mais do que tudo a pegar nos gémeos e a rumar a essa maravilhosa terra de seu nome Queluz de baixo. Maldita a hora e passo a explicar o porquê.
Desde que despertei para este maravilhoso mundo dos mais pequeninos que tenho investigado marcas e marcas e confesso-vos que a maior deceção de todas se prende com a Chicco. A maioria das lojas está completamente ultrapassada em termos de decoração, a coleção de roupa parece que parou no tempo, o calçado nem se fala e o que ainda vai "safando" a marca são alguns artigos de puericultura. Chegados ao armazém onde se situa o Outlet torci logo o nariz e comecei a pensar que se calhar não valia o esforço de montar o carrinho dos twins, mas crente, dei o beneficio da duvida e lá fomos nós. Primeiro ponto super negativo: os acessos! Sendo um armazém de coisas de criança deveria existir um maior cuidado com os acessos, pois enganem-se. O acesso é feito por um piso superior e para lá chegar têm de empurrar o carrinho por uma rampa que certamente excede o aceitável por lei (vale pelo simpatiquíssimo segurança que está prontíssimo a ajudar). E depois só piora: é uma sala grande cheia de coisas ultrapassadas, com preços que são excessivos para os artigos expostos, brinquedos muito poucos (que era o que mais nos interessava nesta fase)... parecia que estávamos numa sala de velório mas sem corpo para velar. Um ambiente tristíssimo e sem alma. Tal qual a imagem que já tinha da marca.

O que se passa com esta marca afinal? Alguém me explica? Encostaram-se à sombra da bananeira e vivem do status que conquistaram nas gerações passadas? 

09/11/2017

MEMÓRIAS DE UMA MÃE EM CONSTRUÇÃO #18

Foi precisamente há um ano (à mesma hora, ao mesmo minuto) que a nossa gravidez se materializou aos nossos olhos. Na verdade fui eu a primeira a saber. Fui eu que recebi o tao desejado resultado. Como? Conto-vos tudo...

Depois da transferência e de esperarmos longos dias em que a ansiedade era galopante era chegado o dia para a tão desejada análise ao sangue e com ela... um resultado. O resultado! No fundo os últimos meses iriam materializar-se naquele resultado. Fomos à Joaquim Chaves do Cascaishoping, como era habito ao longo dos tratamentos, onde me retiraram um sangue cheio de esperança, de sonhos e de ansiedade. No final disseram-me que me enviariam o resultado por email ainda nesse dia mas sem se comprometerem com a hora certa. E como é que se sobrevive a cada segundo que passa?? Como é que se resiste a fazer refresh ao email na ansia de que o símbolo de que recebemos um email se materialize? Como? Com que palavras se responde a um marido que estando longe estaria tao ansioso como nós? Foram segundos que me pareceram horas, minutos que me pareceram dias e horas que me pareceram semanas... mas às 15:32 o tao desejado email chegou!

Lembro-me de olhar para o símbolo de email da Joaquim Chaves e de ter rezado... não o abri sem renovar o pedido à Nossa senhora "mãe ajuda-me a aceitar o que está reservado para nós, ajuda-me a não ser uma pessoa amargurada seja qual for o resultado". Eu sabia o que procurar pois a Roxana havia-me dito "Sara qualquer resultado acima de 5 significa que estão grávidos"... e era esse o valor que eu ansiava encontrar naquele momento. Sem o romantismo de um teste de gravidez que se faz na casa de banho enquanto o nosso companheiro aguarda no quarto mas com todo o amor e ansiedade que se pode ter quando o nosso sonho podia estar à beira de se tornar real. Cliquei para abrir o ficheiro que acompanhava o email e as lagrimas escorriam-me na cara sem dó nem piedade Na minha cabeça o mesmo pensamento em modo repeat sem parar "seja o que for, que tenhamos força para o aceitar" e os números surgiram à minha frente... a frieza dos números iria ser substituído por um amor que nos era desconhecido mas que viria a ser o maior que alguma vez sentimos

"221!!! DUZENTOS E VINTE E UM! 221!!" gritei quase sem dar conta... era 221! Estou gravida? E agora o que faço? espero por logo à noite e faço uma surpresa ao João? Conto já? 221??? Estarei mesmo gravida? Ligo para a AVA já para confirmar ou ligo ao João?  não sei bem materializar a velocidade com que os meus pensamentos se acumulavam no meu cérebro. Liguei ao João, afinal de contas sempre foi assim, sempre vivemos os dois as coisas ao mesmo tempo sempre que a vida nos permitiu isso "João acho que estou gravida" ... do outro lado um misto de alegria com medo de que não estivéssemos a interpretar os números certos (matemática nunca foi uma coisa que o João apreciasse, mas acho que desta ver os números lhe estavam a dar o sonho de uma vida). Estávamos os dois com os pés a levitar mas era preciso fazer o telefonema para a AVA para termos a certeza. Liguei e do outro lado a voz mais calma dizia "PARABENS está gravida Sara". Toda eu era surpresa e alegria e amor e duvida e incerteza e medo e sei la quantos outros sentimentos que não sei descrever.

Liguei de novo ao João e não consegui parar de chorar... estaria o nosso sonho a ganhar forma naquele dia? Meu deus não existiam mesmo palavras para descrever o que nos ia na alma, no coração na cabeça.

Mas o caminho já era longo e a minha cautela fazia-me não festejar em pleno... ainda havia duvida na minha cabeça. E se foi um falso resultado? E se houve um erro? A próxima consulta com o Dr Vasco é que seria, para mim, a confirmação do que agora estava a ganhar forma.

Estaríamos mesmo grávidos?








08/11/2017

MEMÓRIAS DE UMA MÃE EM CONSTRUÇÃO #17


26 de Outubro

Mais uma noite mal dormida, parece que cada vez durmo menos e não sinto vontade de descansar mais. Esta na hora de rumar à AVA.
A equipa hoje tinha novidades, novo anestesista, nova enfermeira, nova embrionista,..., mas eu mantive-me sempre de sorriso no rosto (de outra forma tudo custaria mais). Enquanto o Dr. Vasco me fazia a ecografia para se certificar de que não tinham existido alterações, aproveitei para fazer as ultimas orações. Estávamos entregues à fé e à medicina. Fechei os olhos e quando acordei já estava mais leve e sem os meus pequeninos. Parece que houve uma pequena complicação durante o procedimento, ao aspirar os folículos houve um vaso sanguíneo que foi afetado originando uma pequena hemorragia ao ponto de me terem trocado a bata que vestia (a maravilhosa e sexy bata azul) e eu no mundo dos sonhos sem dar conta.
Foram retirados 4 folículos o que já é muito mais do que foi retirado no ultimo tratamento... as probabilidades estão do nosso lado. 
Agora é a parte pior para mim... esperar! Foi nesta fase que ficámos no ultimo tratamento e os medos estão aqui sempre a espreitar. Saímos da clinica e fomos ao colombo para almoçar, desanuviar e ir à loja da Disney comprar a primeira decoração de natal deste ano (temos a tradição de comprar uma todos os anos naquela loja).
Agora é esperar que o dia de amanha chegue e que os nossos pequenitos sobrevivam até dia vinte oito!


27 de Outubro  

Mais uma noite mal dormida (de novo). Começo às voltas na cama e para não acordar o João, rumo ao sofá da sala ver todos os programas que a box vai acumulando. House of rules, anatomia de grey, masterchef australia, casa dos segredos, passadeira vermelha,...,  vale tudo na esperança de que o sono apareça e... nada! As horas vão passando por mim e a única coisa que quero é que o telefone toque. A ansiedade atinge picos enormes.
Finalmente oiço o telefone AVA é o que aparece no ecrã. Mal deixo tocar de novo... é a Ana (a nossa embrionista) para nos informar que dois folículos não sobreviveram. Menos 50% de hipóteses perderam-se numa noite... faltava mais uma.
Bolas Sara!! Temos dois! Temos dois e enquanto a Ana me dizia que me ligaria no dia seguinte bem cedo para dizer se a transferência iria ocorrer conforme planeado, eu repetia para mim "temos dois, temos dois". 
Desliguei e percebi que as lagrimas já me corriam pelo rosto em cascata. Foi aqui precisamente aqui que ficámos no outro tratamento, mas agora temos dois!!!!! Dois folículos. Liguei ao João, à minha mãe e troquei mensagens com as amigas de todas as horas e deixei-me contagiar pelo entusiasmo de todos e pela fé... a minha! Dois folículos! Amanha será outro dia... e muito importante!


28 de Outubro

Escusado será dizer que se nas noites anteriores tinha dormido mal, nesta nem me recordo de ter fechado os olhos. Olho para o João e invejo-lhe a capacidade que tem de dormir bem nestas alturas. Ele foi trabalhar, ficando à espera do meu telefonema mas confirmar (ou não) a nossa transferência. 
E... o telefone toca : "Sara a transferência mantem-se, temos folículos! Um tem a qualidade máxima e o outro também parece evoluir nesse sentido". Vai ser um dia bom. Vai ser um excelente dia!
Clinica aqui vamos nós. Bexiga cheia para facilitar a transferência. A intervenção atrasou-se e tive de me libertar do peso que carregava. Voltei a beber água para cumprir a minha parte cada vez mais focada. A mesma sala, a mesma equipa da punção mas agora tudo me parecia mais bonito. Os nossos pequeninos iam voltar para mim. Antes a Dra. Ana deu-nos uma excelente noticia, o segundo folículo acabara de se dividir em 4 como o seu irmão e passávamos assim a ter dois folículos de qualidade máxima. Melhor noticia era impossível.
Transferência feita e a Dra.. Ana disponibilizou-se para nos retirar todas as duvidas que tivéssemos e no meio dessa conversa percebemos que ela afinal já conhecia o João (de vista) do Parque das gerações - o sk8park do Estoril. Imaginam? eu deitada na maca de pernas abertas e a Dra. Ana e o João em amena cavaqueira?? Hilariante.
E agora Dr. Vasco? 
Agora esperamos! Recomendação para descansar, nada de esforços, nada de correrias mas deixar andar a vida "normal". Próxima data a memorizar... dia 9 de Novembro onde faremos a análise ao sangue para saber se estamos grávidos ou não... dia de aniversario da minha sogra!
De novo... esperar! Esperar! Esperar!

(Continua)

07/11/2017

OBRIGADINHA SIM !?!?!? #5

Senhores lojistas de marcas infantis percebem que se eu não conseguir entrar na vossa loja certamente não irei gastar dinheiro lá não percebem?

Entrar com um carrinho de bebé na maioria das lojas é um desafio, entrar com um carrinho de bebe de gémeos na maioria das lojas é quase uma missão impossível... isto até não seria tao grave se eu não me estivesse a referir a lojas exclusivamente dedicadas a artigos de criança. E algumas até conseguimos entrar... não conseguimos é circular e muito menos sair sem que seja de marcha atrás.

Depois admiram-se de que não vendem... viva as compras online! Viva!

04/11/2017

MEMÓRIAS DE UMA MÃE EM CONSTRUÇÃO #16

17 de Outubro

Não sei explicar o que se está a passar comigo desta vez. Sinto-me desligada. Sinto-me um autómato que tem de executar tarefas. Será defesa? Será o meu lado racional a proteger o emocional? Não sei! O que eu sei é que há tarefas que tenho de executar para que tudo tenha valido a pena. Mais uma injeção, mais uma agulha a furar-me a pele e a impregnar-me de fé e esperança. Mais um dia...


19 de Outubro

O telefone toca, relembra-me do que eu já não consigo esquecer: retirar a injeção do frio e esperar que fique à temperatura ambiente, cubo de gelo numa taça, seringa preparada com o resto do liquido que ficou no frasco (já usado), algodão embebido em álcool e está tudo preparado... esperar 10 minutos e à hora certa retomar o ritual. Sento-me na beirinha da cama, levanto a camisola, e escolho um lado da barriga que não tenha veias visíveis ou nodoas negras (sim porque existem vestígios de algumas das picadas), passar o gelo para adormecer um pouco o local (uma espécie de anestesia caseira), limpar, passar o algodão com o álcool, esperar que seque, segurar numa prega de pele, espetar a agulha sem hesitações, largar a prega de pele lentamente e esperar que o liquido passe da seringa para o meu corpo... esperar 10 a 20 segundo, retirar a seringa e pressionar. É agora, precisamente neste momento que entra o lado emocional, é tempo de rezar. Deito-me, ele vem dar-me um beijinho e depois eu fico ali deitada com os meus medos, com a minha fé, com o nosso sonho a percorrer-me a mente. 
Por hoje já está... a próxima etapa é conversar com o Dr. Paulo Vasco e perceber se há boas noticias do planeta útero!


21 de Outubro

A vida vai correndo entre consultas. Tudo tem horários e medicação rigorosa, milímetros, minutos, nada pode falhar. Percebem agora o quão ridícula é a frase "tens de descontrair, não estar sempre a pensar nisso" Oi???? como? Experimentem ter de fazer a mesma rotina durante um período da vossa vida e não ter de pensar nela. Tentem imaginar que essa rotina é o caminho para a concretização do vosso sonho. Descontração?? Não! Não é esta a palavra que vos irá acompanhar.
Hoje foi dia de visitar o Dr. Paulo e tivemos uma agradável surpresa: 5 folículos  (um de um lado e 4 do outro). Quatro folículos que decidiram esconder-se atrás do mioma que habita em mim. São 5 bolhas de oxigénio que nos farão respirar melhor nos próximos dias. Desenvolvimento normal... esperança é o que agora nos corre nas veias... nova medicação. Mais injeções. O que é isso agora que podemos estar perto do fim? Quando o resultado final irá fazer com que tudo tenha valido a pena? Hoje levamos para casa uma data... a data possível para uma punção. Regressamos dia 24 para saber mais noticias do planeta mais importante de todo o universo - o "nosso" útero. Até lá... proteína!!



24 de Outubro

Dormi mal. Há muito que estas noites que antecedem as consultas se transformaram naquela ansiedade que uma criança sente em véspera de natal. É curioso como aquelas exames "chatos" que todas as mulheres têm (ou deveriam) fazer se convertem em coisas de rotina e desejadas. Não interessa o como nem quando porque o que pretendemos é ter uma janela aberta para um planeta útero que é tao fechado. "Olá útero o que se passa por aí hoje?", mais uma noticia esperançosa - são 6 folículos. Apareceu mais um e que é muito bem-vindo. O Dr. Vasco sorriu e disse que se quer ver livre de nós (pelos bons motivos claro) e que desta vez está esperançoso de que teremos uma transmissão. Afinal a ciência também pisca o olho à esperança. 
Foi uma boa consulta. Temos os nossos corações cheios de esperança  e de convicção de que o dia 26 de Outubro vai ser um bom dia ( o 26 de novo na nossa vida, o dia em que casámos num mês de Junho... nada é por acaso pois não?). Os trabalhos de casa envolvem 3 injeções no mesmo dia. Três!!! Mas o que não se faz por um amor incomensurável? O que não se faz pela concretização de um sonho maior?

(continua)

02/11/2017

4 MESES DE NÓS

E quatro meses se passaram desde que nos colocaram  nos braços dois seres pequeninos que vieram preencher na totalidade a nossa vida. Têm sido 4 meses de desafios, nem sempre fáceis, nem sempre ganhos mas, sempre vividos intensamente. Quatro meses a tentar criar rotinas que todos desconhecíamos, criar hábitos para os quais não estávamos focados, no fundo 4 meses a construir a nossa família, o nosso lar.

Estes 4 meses trouxeram imensas novidades nas nossas vidas e os nossos pequeninos começam cada vez mais a mostrar que mesmo sendo gémeos têm tanto de diferente.

Estes 4 meses trouxeram ao Francisco o som maravilhoso da gargalhada... é vê-lo gargalhar com as nossas patetices numa felicidade contagiante. Trouxeram também o soninho retemperador para pais e filhos e já conseguimos dormir entre 7 e 10 horas por noite o que é maravilhoso. Aqui saem claramente ao pai pois a mãe não é muito dada a muitas horas de sono, 7 e chega (mais coisa menos coisa). Trouxeram também as birras para arrotar... mas onde é que este miúdo aprendeu que para arrotar é preciso fazer uma prancha de 5 minutos??? Estica-se como se fosse uma enguia e chora como se lhe estivessem a arrancar uma unha... depois de tudo experimentarmos lá descobrimos que o melhor seria sempre colocar-lhe a chucha e assim ele sossega e arrota à mesma. Malabarismos que os pais aprendem por conta e risco. Continua o mais impaciente dos filhos, irrita-se quando as coisas não chegam no momento que ele entende e isso pode trazer-lhe alguns choros aos quais vai ter de se habituar... que isto de viver não é sempre fácil para todos. 

Ao Pedro os 4 meses trouxeram dois dos melhores presentes: uma maior autonomia nos gestos, já movimentando a sua cabecinha para a esquerda e direita sem condicionamentos e 4 cms a menos na sua plagiocefalia. A luta ainda vai no inicio mas ele é sem duvida o nosso guerreiro de luz e vai lançado na sua missão. Mas não foi tudo. Os quatro meses trouxeram-nos um bebé muito conversador. Palra imenso e sempre com aqueles olhinhos que sorriem sempre de forma generosa. Observa atentamente o gesto das nossas bocas e tenta replicar de forma atabalhoada e como é bom ser testemunha destas descobertas. Com o palrar veio também a baba... e tanta senhores! Parece um verdadeiro nenuco a fazer bolhinhas. A pediatra arrisca que começará a falar cedo... veremos se temos um tagarela como a mãe. Claramente uma coisa que os 4 meses trouxe foi um Pedro muito mais refilão e menos paciente (como eu o entendo) o que nos coloca maiores desafios. Porém tem o acordar mais querido de todos pois fica a conversar sozinho e a brincar com as suas mãozinhas. Fisicamente acho-o cada vez mais parecido comigo e não posso deixar de sentir que é tao bom identificar  pedacinhos nossos num ser tao pequenino.

São 4 meses de todos os clichés que já se escreveram sobre maternidade/paternidade e mais alguns. São também 4 meses de momentos únicos, de sentimentos que desconhecíamos existir e que descobrimos diariamente, de medos com que temos de lidar a cada segundo... são 4 meses de uma família em construção. O que será que está para vir?

29/10/2017

OS QUADROS DE NASCIMENTO DELES

Os quadros com os dados do nascimento dos bebés são muito comuns e é uma forma dos pais eternizarem coisas que a memoria poderá um dia esconder e apagar. Confesso que muito antes deles nascerem já pensava em como os iria fazer e as ideias foram muitas (algumas completamente idiotas) mas houve uma que persistiu: juntar os trabalhos da minha FIOAPAVIO a este registo tao importante. Depois de ver as fotos que o pai conseguiu tirar aquando do nascimento deles também ajudou, e muito, a tornar a minha ideia ainda mais real.

Escolhidas as imagens da expulsão deles do meu corpo e a consequente chegada a este mundo de loucos - o seu momento 0, depois faltaria apenas criar duas medalhas que reunissem todas as informações importantes: nome, dia, hora, peso e comprimento.

Estas medalhas de alumínio, material de alta qualidade, leve, que não oxida nem perde a cor, têm duas dimensões: 35 e 23mm de diâmetro. Na maior estão registados  o dia, a hora, o peso e o comprimento e na mais pequena o nome, uns pezinhos e foi colocado um strass azul.

Depois foi escolher a moldura mais banal do nosso queridíssimo IKEA e estavam prontos OS QUADROS DE NASCIMENTO dos meus pequeninos príncipes.

Despretensioso, com fotos do pai, o toque extra do trabalho da mae e com o registo de um momento único na nossa vida enquanto família.

Se desejarem medalhas para fazerem o quadro de nascimento dos vossos pequeninos basta que enviem as vossas questões para fioapaviobazar@gmail.com ou mensagem privada via FACEBOOK ou INSTAGRAM 

Ousam?






13/10/2017

É DIA DE AGRADECER...

Há um mês atrás quando marcámos a nova consulta de neuro cirurgia para o Pedro não reparámos realmente no dia que era... 13 de Outubro, dia em que a Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos! Não havia de facto melhor dia para receber noticias do nosso pequenino. Mais uma vez a ciência e a fé estavam a caminhar lado a lado na nossa vida.
Esta foi uma semana intensa em que começámos com a consulta com a fisiatra para analisar o trabalho que fizemos ao longo de 12 sessões e que termina hoje com a consulta de neuro cirurgia. O balanço foi tão mas tão gratificante que só podemos estender os braços ao ar e agradecer estas boas novas, que não sendo a cura, nos dizem que estamos a caminhar para o lado certo.

No que diz respeito à Fisiatra foi-nos dito que o Pedro mantem uma hipotonia axial mas muito mais ligeira e que o torcicolo estava praticamente superado. Iremos manter a fisioterapia duas vezes por semana e, este deve ser o melhor remedio de todos, muito colinho! Neste momento o nosso pequenino precisa fortalecer o pescocinho. É esta a nossa missão!

No que diz respeito à consulta de neuro cirurgia a Dra. Paula fez todas as medições e ... enquanto o fazia nós ficámos ali com a vida suspensa quase que sem respirar. Mas em boa hora o fez porque o nosso pequenino passou de um desvio de 12mm para 8mm num mês! Num mês conseguimos 4 preciosos milímetros!! A Dra. Paula disse que não se ia comprometer com um diagnostico final em que o nosso pequenino não virá a usar o capacete mas, e isto apesar de ser apenas uma previsão já nos enche de esperança, que suspeita que ele não o virá a usar. Neste momento somos todos esperança e alegria e estamos a comemorar estes 4 milímetros que parecendo uma medida tão pequenina é um passo gigante para o nosso pequenino.

Temos mais um mês de muito contrariar a cabecinha para o lado que ele não gosta (tanto), de muito colo, de muitas horas de fisioterapia mas acima de tudo mais um mês de muita gratidão por estarmos rodeados de bons profissionais e de um carinho imenso que nos chega de tantos lados.

Obrigada a todos!

Para ti senhora as palavras finais: obrigada por tantas vezes pegares em nós ao colo quando a força nos falta. Tu és a força, tu és a energia, tu és luz!

nota - o Francisco ficou tao feliz com a noticia do mano estar melhor que deu a sua primeira gargalhada no consultório da Dra Paula. Não, não foi um sorriso, foi mesmo uma gargalhada!!

design

design by: We Blog You